O primogênito João Rufino
nasceu no dia 22 de junho de 1924, filho de Manuel Rufino e Maria José, ele
teve uma vida simples ao lado da sua esposa Joana de Souza Rêgo, a décima segunda
filha do casal José Vicente Rêgo e Olímpia Maria. João Rufino mudou-se para São
Miguel em 1947, quando resolveu montar uma filial de tecidos no município, já
que o Baixio dos Nazaré era muito pequeno para uma expansão comercial. “Mas
Manuel Rufino percebeu o crescimento que a estrada que ligava São Miguel às
outras regiões do Rio Grande do Norte estava proporcionando à sua cidade, e
notou que o cenário econômico local estava se modificando lentamente”
(MEDEIROS, 2011, p. 97)
João Rufino possuía uma
loja de tecidos, mas logo percebeu que seu negócio teria um rendimento
limitado, o transporte estava se tornando inviável, o comércio de tecidos só
vigorava em épocas festivas da cidade como festas tradicionais e a concorrência
estava aumentando, meio de vida este que estava condenado a ter um rendimento
limitado. (MEDEIROS, 2011, p.125).
Gentil Rêgo, que tinha
uma torrefação em Pau dos Ferros chamada “Duas Estrelas”, mostrou a João Rufino
algumas características do ramo do Café como: funcionamento da torrefação,
máquinas, questões legais, fiscalização e compra de matéria-prima. Logo, João
Rufino se interessou e resolveu mudar de negócios (MEDEIROS, 2011).
Em 1959 o Sr. João Alves
de Lima começou a comercializar o café verde de Minas Gerais para a região, ele
compra um moinho e passa a torrar e moer o café. Em 1960, João Rufino vai para
Recife, capital pernambucana, onde está localizada a sede da 6ª Região do IBC,
onde regulamenta a documentação da homologação do café “Nossa Senhora de
Fátima”
João Rufino comprava
grãos de pequenos produtores para depois revender na forma torrada e moída para
a população e comerciantes na região, fazia todo o processo da preparação do
café praticamente sozinho, desde a torrefação do café até o embalamento do
produto. Em 1960 decidido a expandir os negócios João Rufino resolve vender seu
café na linha de fronteira do Ceará, para conquistar os clientes dava amostras
do seu produto para as mercearias vender como experiência, e muitas vezes
utilizava o escambo como forma de pagamento do café. (MEDEIROS, 2011, p. 152 e
153)
No ano de 1970, João
Rufino a fim de aumentar o capital resolveu tentar outras atividades comercias
e industriais. A primeira tentativa foi uma padaria, mas o negócio faliu. A
segunda tentativa foi cultivar o arroz, mas essa atividade trazia um lucro
muito baixo que não compensava a mão de obra e o tempo. Para diversificar a sua
produção em 1980 comprou uma fábrica de sabão. No começo a fábrica teve um
crescimento significativo, porém com o crescimento da inflação e diante da
crise econômica que o Brasil enfrentava na época, essa atividade comercial não
duraria muito tempo (MEDEIROS, 2011).
Segundo Medeiros (2011),
em 1973 João Rufino se tornou um dos sócios fundadores da Associação Brasileira
da Indústria de Torrefação e Moagem de Café (ABIC). “Os representantes dos
Sindicatos das Indústria de Torrefação e Moagem de Café de diversos estados da
Federação decidiram criar a associação nacional como forma de melhor negociar
com o governo políticas de interesse dos torrefadores” (SAES, 1998, p.05).
A Agência do Banco do
Brasil no município de São Miguel foi inaugurada em 1978, dando oportunidade a
João Rufino para um empréstimo. O financiamento proporcionou uma modernização
das máquinas para potencializar o seu negócio, e iniciaram a modernização
tecnológica e a conquista de novos mercados, (MEDEIROS, 2011, p.164).
A torrefação do café
funcionava no centro comercial da cidade de São Miguel. Em meados da década de
80 ocorreu um incêndio, logo os dirigentes do comércio local solicitaram que
fosse retirada a torrefação do centro da cidade, João Rufino transferiu para o
prédio que funcionava a fábrica de sabão. O prédio que funcionava a torrefação
continuou o funcionamento como entreposto comercial. (MEDEIROS, 2011, p.177).
No ano de 1985, a família
Rufino recebeu uma notificação a respeito do nome “Nossa Senhora de Fátima”.
Uma empresa localizada no interior do Pará já utilizava esse nome para
comercializar café, e solicitou a João Rufino que retirasse o nome. Então
surgiu o nome “ Santa Clara” sugerido por Vicente, um dos filhos de João
Rufino, um nome mais fácil de ser lembrado e inspirado em uma Santa italiana.
(MEDEIROS, 2011).
No centro comercial de
São Miguel no local onde João Rufino iniciou a torrefação de café, foi criada a
empresa JAL Comércio e Indústria Ltda. no ano de 1988, quando João Rufino se
aposentou aos seus 64 anos, deixando sua empresa comandada por seus cinco
filhos a partir daí deu início ao processo de expansão e modernização (MEDEIROS,
2011).
Em 1984, seu João
entregava a bússola aos filhos Pedro, Paulo e Vicente Lima. Eles renomearam a
indústria, criada pelo pai, para Café Santa Clara e iniciaram a modernização
tecnológica e a conquista de novos mercados. A primeira filial, aponta Pedro,
foi em Mossoró; em 1988, avançaram além dos limites do Rio Grande do Norte,
atraídos pelos incentivos fiscais do governo Tasso Jereissati no Ceará, em 1989
(FIEC, 2015, p.69).
FONTE
- YARA KATERYNE DE OLIVEIRA VALCACER